Dia-a-dia da Negra Bahia

Baianas na Festa do Bonfim Foto Rita Barreto. (1).JPG

Na Bahia, a cultura afro permanece viva. O legado africano está presente no dia-a-dia  dos baianos, seja na religião, nos ritmos, na comida ou na arte. Trazidos de vários pontos da África, entre os séculos XVI e XIX, os negros chegaram à Bahia na condição de escravos e trouxeram na bagagem seus costumes e crenças. Com mais de 80% da população afrodescendente, Salvador é considerada a cidade mais negra do mundo fora do continente africano. Em todo o Estado, multiplicam-se os templos e espaços religiosos onde a população afro exerce de forma plural a diversidade religiosa. Aqui a cultura negra se integrou, criando uma verdadeira identidade afro-brasileira. Na Bahia, o turista tem a possibilidade de conhecer e vivenciar essa cultura de raiz negra nas suas mais belas manifestações e no cotidiano da vida local. 

BAIANA
A baiana é um dos principais símbolos da influência africana na cultura da Bahia. Personagem tradicional das festas populares e nas ruas de Salvador, a baiana veste-se com rendas, contas, patuás e torço na cabeça. Conhecida também como “baiana de acarajé”, vende seus quitutes em vários pontos da cidade, distribuindo sorrisos e simpatia que são uma marca da hospitalidade do povo baiano. Devido à sua importância para a cultura local, no dia 25 de novembro, data reservada para homenageá-las, os adeptos e simpatizantes a do candomblé realizam manifestações culturais.

BLOCOS AFRO
Os blocos afro são entidades culturais que representam, através da música e da dança, a cultura negra na Bahia. O som percussivo dos tambores, que nasce da tentativa de reproduzir a música africana, teve forte influência do samba trazido pelos africanos escravos. Hoje o ritmo é considerado genuinamente baiano.  As festas e ensaios dos blocos afro são eventos musicais que atraem turistas e baianos durante o ano inteiro. Um festival de sons, coreografias e cores, engajados em movimentos etnopolíticos. Formados, na sua maioria, por jovens negros da periferia de Salvador, os blocos afro exercem também um importante papel de inclusão social através da arte. Os mais expressivos são Filhos de Gandhy, Olodum, Ilê Aiyê, Muzenza,  Malê Debalê e Cortejo Afro.   

CAPOEIRA
A capoeira é outra expressão da história e cultura negra na Bahia. Mistura de luta e dança, seus movimentos e cantos cadenciados são a memória viva da busca de um povo pela liberdade. Hoje, a capoeira rompe fronteiras e preconceitos, conquistando o mundo com sua identidade afro-baiana.

GASTRONOMIA
A culinária baiana é caracterizada pelo tempero exótico à base de azeite de dendê, leite de coco, gengibre e pimenta, heranças da cultura africana. O acarajé, o caruru e o vatapá  são pratos típicos, de fama internacional, que podem ser degustados nos tabuleiros das baianas, nas ruas de Salvador. Em cerimônias religiosas, nos terreiros de candomblé, alguns pratos são preparados para serem ofertados aos orixás.

FESTA DE SÃO JOÃO
Em junho, especialmente no dia 23, a Bahia inteira comemora o São João. O festejo é uma homenagem a João Batista, primo de Jesus Cristo, e as comemorações sempre contam com muita música, dança e alegria. É quando rituais de homenagem ao santo católico, como as fogueiras e balões, se misturam às comidas típicas influenciadas pela culinária negra e indígena, como semente de coco, amendoim, milho, mandioca, de pratos à base de batata, bolos, canjicas, pamonhas e pipocas. Essa festa sempre marcada pela simpatia do povo baiano, representa a cultura nordestina do Brasil e acontece em todas as cidades do Estado, da capital (Salvador) aos 416 municípios do interior.

FESTAS RELIGIOSAS
Na Bahia, ao longo do ano, os orixás são homenageados com música, dança e comidas  sagradas. Muitas dessas comemorações se misturam às homenagens e devoção aos santos católicos, num sincretismo religioso que une, por exemplo, Iemanjá a Nossa Senhora da Conceição, Iansã a Santa Bárbara e Senhor do Bonfim a Oxalá. Os terreiros de candomblé possuem calendários próprios, herança da cultura africana, com algumas festas abertas aos visitantes. Em Santo Amaro da Purificação, no mês de maio, acontece uma das cerimônias do candomblé realizadas ao ar livre. É a festa do “Bembé do Mercado”, que celebra o fim da escravidão no Brasil, ocorrida em 1888.

FESTA DA BOA MORTE
Uma das importantes comemorações litúrgicas da fé brasileira acontece no mês de agosto na cidade de Cachoeira no Recôncavo Baiano. É a Festa da Boa Morte. Senhoras  negras, com mais de 50 anos, saem em cortejo pelo centro da cidade, vestidas como verdadeiras rainhas, em devoção à Boa Morte, ou Dormição de Maria, como é chamada  a Assunção da Virgem aos Céus. São mães-de-santo que se vincularam à Igreja Católica  para continuar cultuando, sem perseguição, seus orixás, divindades do candomblé. Assim, seculares tradições africanas encontraram no sincretismo religioso uma forma de  preservar sua história.

RELIGIÃO DE MATRIZ AFRICANA
Os negros africanos, ao chegarem à Bahia, na condição de escravos, trouxeram na bagagem suas crenças e rituais com músicas, danças e comidas sagradas. Mas como eram proibidos de cultuar sua religião, encontraram no sincretismo com o catolicismo uma forma de preservar as tradições africanas. Assim nasceu o candomblé, a religião afro-brasileira que influenciou profundamente a cultura baiana, fazendo com que ritos afros resistissem até os dias de hoje, apesar das muitas transformações que sofreram. O candomblé prega o culto aos orixás, divindades afros que representam as forças da natureza, que, durante o ano inteiro, são homenageados em belas festas populares de rua ou nos espaços sagrados conhecidos como “terreiros”.

IGREJA DO SENHOR DO BONFIM
A Bahia tem mais de 300 igrejas. A Igreja do Bonfim é um dos maiores símbolos do sincretismo religioso do Estado. Conhecida pela fé que os baianos nutrem pelo padroeiro da cidade, a igreja também representa elementos do candomblé, onde o Senhor do Bonfim é sincretizado com Oxalá, pai de todos os orixás. Situada na Sagrada Colina, em Salvador, tem arquitetura colonial portuguesa, com duas torres sineiras laterais, e chama a atenção por suas dimensões e pela posição de destaque na elevação onde foi instalada. Visitantes podem presenciar essa fusão de religiões, principalmente em janeiro, na Lavagem do Senhor do Bonfim, quando as baianas percorrem as ruas da cidade em cortejo até a igreja, para lavar sua escadaria com água de cheiro.

 

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