Dia 2 de fevereiro: a Bahia celebra Iemanjá, mãe de todos os orixás

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“Dia 2 de fevereiro, dia de festa no mar”. Os versos de Dorival Caymmi são cantados todos os anos, na praia do Rio Vermelho, em Salvador, quando uma multidão se reúne para homenagear Iemanjá, a Rainha do Mar. Flores e perfumes são as oferendas preferidas do orixá, que também costuma receber um presente especial, só revelado no dia da festa, na próxima segunda-feira, e ofertado pelos pescadores como forma de agradecimento.

A Festa de Iemanjá costuma atrair milhares de baianos e turistas que levam suas oferendas para a Mãe das Águas, pedindo proteção, num ritual de fé e emoção. Os presentes são deixados na Casa do Peso, na Colônia de Pesca do Rio Vermelho, quando são colocados em diversos balaios e dali seguem em barcos para o alto-mar, ao som de atabaques e fogos de artifício para, enfim, serem colocados nas águas salgadas e recebidos por Janaína, como também é conhecida a Sereia do Mar.

Para os pescadores, Iemanjá é tida como a grande mãe, generosa e respeitável, de cabelos longos e soltos e de seios majestosos. Já as mulheres veem Janaína como a amante perigosa e ciumenta, que costuma roubar seus maridos e levá-los para o fundo do mar. E como o sincretismo religioso é o que torna a Bahia diferente de qualquer outro destino do mundo, enquanto os adeptos do Candomblé reverenciam a divindade-mãe do panteão africano, os católicos vestem-se de branco e se unem aos demais devotos para celebrar Nossa Senhora da Conceição.

Segundo informações de Marcos Souza, coordenador da festa, a Casa de Iemanjá e o caramanchão (local que serve de abrigo para o depósito dos presentes) serão abertos às 7h de domingo (1º) para visitação e entrega das oferendas. Já na madrugada de segunda (2), todos vão para o terreiro Ode Mirim, localizado no bairro do Engenho Velho da Federação, para realizar os rituais em homenagem à Senhora das Águas.

Depois seguem em cortejo até o Dique do Tororó, local onde é feita a entrega do presente de Oxum, para evitar os ciúmes da vaidosa rainha das águas doces. Por volta de 5h, e já no Rio Vermelho, uma alvorada de fogos anunciará o presente principal, abrindo oficialmente a festa.

Os presentes serão recebidos até às 15h30 e, por volta de 16h, os pescadores realizarão a procissão marítima, ponto alto da festa. Cerca de 700 balaios serão divididos em cerca de 300 embarcações. Os presentes são depositados a quatro milhas da costa (cerca de seis quilômetros), no ponto chamado Buraquinho de Iaiá.

Origem - A festa teve início em 1923, quando, diante da escassez de peixes, um grupo de pescadores resolveu ofertar presentes à Iemanjá. Segundo relato popular, os peixes voltaram e, a partir daí, os pescadores presenteiam a rainha do mar como forma de agradecimento e aproveitam para pedir fartura e um mar tranquilo.

Superstições sobre a Festa de Iemanjá – Conta a lenda que, se a oferenda oferecida à orixá afunda, é porque foi aceita e agradou à divindade. Mas se aparecer na superfície da água ou na areia, significa que Iemanjá não gostou do presente e o devolveu, o que causa frustração em alguns devotos.

Fé, devoção e preservação ambiental - Flores, perfumes, espelhos, enfeites diversos – como anéis, colares, fitas, brincos, pentes, bijuterias, joias, relógios, maquiagens – e até bonecas, velas, bebidas e comidas eram oferecidos à Iemanjá. Contudo, atualmente, alguns ambientalistas vêm alertando aos fiéis sobre itens de difícil decomposição jogados ao mar e que, algumas vezes, podem causar a morte de animais marinhos que ingerem esses presentes.

Agora, os pescadores que organizam o evento têm se preocupado mais com o aspecto ecológico que envolve a festa. Portanto, deve ser evitado ofertar objetos de difícil decomposição, tais como plásticos e vidros. Opte por presentes feitos em pano ou madeira de reflorestamento. Flores são sempre um ótimo presente, mas cuidado com fitas e adereços plásticos. Dê preferência aos arranjos com fibras naturais.

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